Carros de Batalha: O melhor da LAAD 2011
Fabricantes de veículos aproveitam evento no Rio para mostrar produtos especiais às Forças Armadas .
Marcelo Cosentino .
Com segurança não se brinca. E, quando se trata de segurança nacional, o assunto fica ainda mais complexo. A modernização das frotas de veículos das Forças Armadas e da segurança pública foi um dos assuntos em pauta no LAAD (Latin America Aero & Defence 2011), a maior feira de defesa e segurança da América Latina, realizada esse ano no Rio de Janeiro, entre os dias 12 e 15 de abril. O evento reúne bienalmente empresas de todo o mundo especializadas no fornecimento de equipamentos e serviços para as Forças Armadas, polícias, forças especiais, serviços de segurança e outras agências governamentais.
Como uma espécie de feirão de negócios militares, a LAAD reuniu 663 expositores em uma área de 47 mil metros quadrados no RioCentro, na Zona Oeste carioca. Lá era possível encontrar desde coletes à prova de balas a helicópteros militares de última geração. Todos os equipamentos, apesar de diferentes, têm um mesmo objetivo: agradar aos chamados “delegados oficiais”. São militares de alta patente, autoridades, especialistas ou mesmo funcionários de diversos governos de todo o mundo, que decidem, ou ajudam a decidir, quais os equipamentos/veículos de defesa e segurança devem ser adquiridos.
Entre as diversas novidades do setor automotivo da LAAD 2011, o blindado Iveco Guarani era um dos maiores destaques. Isso porque o modelo anfíbio de tração 6X6 foi inteiramente desenvolvido no Brasil, numa parceria entre a marca italiana e o Exército Brasileiro. A parceria com as Forças Armadas começou em 2007. No último trimestre de 2012 serão entregues 2.044 unidades para o Exército brasileiro, explica Marco Mazzu, presidente da Iveco Latin America. A Iveco anunciou a criação de uma divisão de veículos militares nomeada Iveco Veículos de Defesa. A nova divisão começa com um investimento de R$ 75 milhões, para a construção de uma unidade produtiva dentro do complexo industrial da Iveco na cidade mineira de Sete Lagoas.
Bastante à vontade no evento, graças a sua origem militar, a Jeep levou para feira o lendário J8, montado sobre a plataforma do WRANGLER. O modelo para fins militares trás reforços no chassi e estrutura de carga, freios e suspensão mais resistentes ao desgaste, além de um robusto eixo traseiro Dana 60. Sob o capô do J8 está o motor 2.8 litro diesel de 196 cv - não disponível no "Jipão" civil à venda no Brasil.
"O Jeep J8 tem capacidade de carga de 12 mil quilos, três a mais do que o modelo visto nas ruas", destaca Jack Robinson, General Manager da Jeep. A Espanhola Urovesa levou ao Rio de Janeiro seu mal encarado blindado Vamtac MS-3, com 188 cv e câmbio automático.
ROBUSTOS E ORIGINAIS
Enquanto alguns modelos vieram para o evento recheados de modificações, outros se mantiveram mais originais. O Land Rover Defender que integra a frota da Marinha, por exemplo, só traz pintura militar, grades e barras, instaladas pela própria Marinha. Fora isso, o modelo é idêntico ao que pode ser visto nas ruas. “No Reino Unidos temos 40 mil veículos como estes. No Brasil não passam de 1 mil”, contabiliza Graham Edwards, Contracts Manager da Land Rover. A francesa Renault, por sua vez, exibiu o caminhão Kerax 6X6. O “peso pesado” de 25 toneladas é movido por um robusto motor diesel de seis cilindros e 460 cv.
No estande da Scania, um vistoso caminhão amarelo chama a atenção entre tantos diversos modelos camuflados. O chamado P420 CB4X4HHZ estava presente em sua configuração para combater incêndios em aeroportos. A cor amarela, a tração integral, o motor de 12 litros de 425 cv e outros detalhes são exigências internacionais para veículos com esta função. “Um aeroporto que quiser receber aeronaves grandes terá que ter obrigatoriamente um caminhão como este”, destaca Alex Neri, engenheiro de vendas da marca sueca.
A feira teve poucos expositores brasileiros. A Agrale era uma das raras empresas nacionais apresentou o novo utilitário Marruá AM 31, que foi desenvolvido para atender às especificações militares na faixa de 1,5 toneladas. A nova versão tem como principal diferencial a maior capacidade de carga: 1.500 kg na viatura, mais 1.500 kg tracionados em qualquer terreno. Atualmente a linha de viaturas da empresa inclui versões para o transporte de tropas, reconhecimento, guerra eletrônica, entre outros.
Fonte: JORNAL DE BRASÍLIA / NOTIMP
