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Brasil e China: a espetacular ascensão econômica de duas potências

Manuel Cambeses Júnior .

* Coronel-Aviador; conferencista especial da Escola Superior de Guerra, membro emérito do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e conselheiro do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.

Notícias recentemente veiculadas pela mídia internacional, confirmaram o que já se suspeitava: a China superou o Japão em termos de PIB nominal e, consequentemente, se converteu na segunda economia mundial. De sua parte, o Brasil, o gigante sul-americano, desbancou a Espanha do oitavo lugar que ocupava na lista das nações mais ricas do globo.

Certamente, isto não causou grande surpresa entre os analistas internacionais, haja vista que os dragões orientais e o portentoso país tropical consolidaram e potencializaram seus crescimentos de forma veemente, ativa e fecunda, enquanto as tradicionais potências econômicas mundiais se mantém mergulhadas em preocupante crise, algumas tendendo para uma fase aguda e galopante. Isso evidencia claramente o bom e próspero momento que vivem os dois países emergentes: China e Brasil.

A privilegiada posição alcançada pela China, superada apenas pelos Estados Unidos, é uma conquista de trinta anos de dinamismo de um estranho mix entre o duro regime comunista chinês associado a um permissivo liberalismo comercial, contrastando com os profundos problemas que afligem a economia nipônica. Os ritmos do “velho dragão chinês” são simplesmente impressionantes: há cinco anos sua economia era a metade da japonesa e, hoje, atingiu o patamar de maior exportador global, maior consumidor de energia e, o que é fantástico, a que conseguiu tirar o maior número de pessoas da extrema pobreza.

A China tem sido escrava de sua demografia. Ao dividir o seu portentoso PIB entre o número de habitantes, atinge níveis irrisórios, semelhantes à de alguns países da África Subsahariana e da América Central. Entretanto, isto faculta aos dirigentes do partido comunista chinês tirar proveito dessa situação, utilizando o discurso de “nação subdesenvolvida” para não assumir compromissos próprios das grandes economias, como, por exemplo, no que concerne à redução do nível emissões contaminantes do planeta.

O envelhecimento de sua população, a escassez de mão-de-obra jovem e o baixo nível de consumo doméstico, impõem limites para que o vigoroso deslanchar da economia chinesa mantenha o crescimento de dois dígitos, que tem registrado até o presente momento. Tudo isto sem incluir as profundas diferenças entre as regiões ricas e industrializadas e o interior ocidental pobre e rural, ademais do crescente dano ambiental.

Em contrapartida, contar com uma classe média chinesa de aproximadamente 350 milhões de pessoas - ou seja, do tamanho da população estadunidense -, sem voz ativa nem voto, gera, como corolário, no campo político, fortes pressões ao sistema comunista vigente, através de protestos e dissidências, e, no social, devido à exigência das massas populares de programas de bem-estar social.

No que concerne à política externa, transformar-se na segunda economia do planeta consequentemente incrementará a exigência internacional para que a China exerça um papel de ator mais ativo e protagônico nos assuntos internacionais, principalmente na abordagem do tema direitos humanos.

A atual postura do Brasil, que se insere como ator global no contexto internacional contemporâneo, assume uma crescente responsabilidade internacional. Como uma das lideranças emergentes do Hemisfério Sul, o Brasil tem fomentado novas alianças, como o Brics (Brasil, Rússia, China e Índia); tem lançado esforços para fortalecer o Mercosul e para criar a Unasul; e, de modo habitual, tem denunciado o protecionismo dos países ricos (por exemplo, no caso dos subsídios agrícolas). A esta política conjuga-se todo empenho do Brasil pela democratização das instâncias decisórias internacionais, compreendendo os esforços para a reforma do Conselho de Segurança; o protagonismo na criação dos G20 (com a ampliação do G7 para incluir países emergentes); as demandas para reformar instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial; e outras iniciativas voltadas ao aperfeiçoamento do multilateralismo e ao fortalecimento da voz do Hemisfério Sul.

Em nível regional, o Brasil vem confirmando, gradualmente, sua condição de potência em desenvolvimento e País emergente. Com uma economia bastante diversificada em indústrias e exportações, desde commodities até aeronaves, passando pela agricultura, ademais de um sólido consumo interno, o portentoso país sul-americano parece não ter sentido a crise e estima-se que crescerá este ano no entorno de 8%.

As multinacionais existentes no Brasil estão se expandindo a outros países, enquanto que a inversão estrangeira no País aumenta consideravelmente. Estima-se que firmas chinesas investirão 12 bilhões de dólares na economia brasileira.

A atual crise econômica mundial está promovendo fortes transformações que se mantinham encubadas há alguns anos. Enquanto a Europa Ocidental e o Japão procuram reativar suas economias em meio a fortes e calorosos debates, os portentosos motores das economias chinesa e brasileira os deixam consideravelmente para trás.

Indubitavelmente, este protagonismo vivenciado pelas economias globais, exigirá um drástico reordenamento geopolítico, em nível mundial. Nesse processo, Brasil e China têm muito a colaborar servindo de paradigma às economias ditas de primeiro mundo.

Fonte: JORNAL DO BRASIL / NOTIMP








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